top of page
Buscar

Para que serve a Orientação Profissional?

há 12 minutos
2 min de leitura

Fazer escolhas nunca pareceu tão difícil quanto nos dias atuais. “Vai ser médico? Engenheiro? Advogado?” E, claro, parece haver sempre uma profissão considerada mais desejável, mais prestigiosa ou mais capaz de garantir um determinado lugar social. “Vai ser professor? Biólogo? Ator?” — “Ator? Quer ser deserdado, menino?”

Se escolher nunca foi uma tarefa simples, como fazê-lo diante de tantas expectativas e da pressão social por uma profissão considerada ideal?

Toda criança que chega ao mundo depende de um outro para sobreviver. E, antes mesmo que possa dizer quem é ou o que deseja ser, muitas vezes já ocupa um lugar no imaginário daqueles que a cercam: “Esse vai ser bom de bola, como o pai”; “Olha a personalidade forte, acho que será advogada”. São fantasias, expectativas e desejos que antecedem o próprio sujeito e que também revelam o investimento afetivo depositado sobre ele.

Chegamos ao mundo, portanto, atravessados pelo desejo do Outro. Em alguma medida, é a partir desse Outro que somos nomeados, reconhecidos e introduzidos na linguagem e na cultura. Entretanto, para construir uma existência própria, será necessário, em algum momento, deslocar-se desse lugar e encontrar um caminho que possa sustentar algo do próprio desejo.

E é justamente aí que as coisas podem se tornar mais complexas.

Nem sempre conseguimos distinguir aquilo que desejamos daquilo que aprendemos a desejar. Podemos tomar como nosso um projeto que, inicialmente, foi construído pelo outro e, sem perceber, percorrer um caminho que não necessariamente nos pertence. O que foi apresentado como possibilidade pode transformar-se em destino; e o fantasma do Outro pode continuar nos acompanhando mesmo quando acreditamos estar fazendo uma escolha absolutamente nossa.

Diante disso, para quem está em busca de se encontrar profissionalmente, talvez seja importante, antes de perguntar “o que eu vou ser?”, perguntar: “quem eu fui até aqui?”

Reconhecer a própria história, compreender como ela foi sendo construída, identificar as experiências que contribuíram para a constituição de quem somos, os sonhos e projetos que surgiram ao longo da vida, bem como os medos, inseguranças e expectativas que nos atravessam, pode abrir espaço para uma escolha mais consciente e implicada.

Mas, diante de tantas possibilidades — e de tanto barulho —, será que ainda conseguimos nos ouvir?

Talvez seja justamente por isso que criar um espaço de escuta seja tão importante. Um espaço seguro para desacelerar, olhar para a própria trajetória, reconhecer aquilo que faz sentido e, a partir daí, pensar sobre onde se deseja chegar.

A Orientação Profissional parte dessa proposta: oferecer um espaço de escuta e reflexão, sem julgamentos, no qual seja possível pensar sobre quem se quer ser, reconhecer habilidades, interesses e competências, compreender aspectos da própria história e conhecer as possibilidades concretas do mundo do trabalho.

Não se trata de alguém que escolhe por você, mas de alguém que pode acompanhá-lo enquanto você constrói sua própria escolha.

Porque, como no poema de Drummond, “no meio do caminho tinha uma pedra”...Talvez o papel do orientador não seja retirar todas as pedras do caminho, mas ajudar a enxergá-las, compreendê-las e, quando necessário, descobrir que existem outros caminhos possíveis.



 
 
 

Comentários


bottom of page