O AMOR E SEUS EQUÍVOCOS
- Juliana I. T. da Rocha

- há 2 dias
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O amor é um grande equívoco, nasceu de um acaso entre Penia e Poros. Enquanto um representa a carência, a falta, a busca pelo que não se tem, o outro, carrega em si a fartura, o recurso, a astúcia, por isso se faz engenhoso, inventivo, aquele que sempre encontra um caminho.

O amor nasce dessa falta e dessa busca constante, por ele são feitas as maiores promessas, é o que muda destinos, como um daimon, enlaça e aproxima os mais improváveis.
O amor é a nossa porta de entrada ao mundo, chegamos investidos por um outro ser, aquele que aposta em nós carrega em si um lugar de decifrador, e é ele quem traz até nós o amor a vida. Logo mais, começamos a amar o que é nosso, começamos a descobrir nosso corpo e a potência que há ali.
Por mais genuíno que seja o amor próprio, por algum momento o renunciamos para alcançar o que acreditamos haver no outro que nos preencherá.
Nesse ponto, o amor aos amigos, pode nos sustentar por um tempo, para alguns, talvez sustente para sempre.
Mas há um bichinho que nos cutuca e faz o olhar do outro cruzar com o meu, e as palavras já não são mais suficientes para expressar, precisa-se dos outros sentidos, é o cheiro, o toque, o som, tudo daquele outro mexe no lugar mais íntimo, talvez onde nem se sabia existir, é ele que leva Caetano a compor, Marisa Monte a cantar e Nando se emocionar....
É ele que nos leva aos equívocos, que faz com que o mais improvável ganhe sentido, é o dito,maldito, que enfeitiça, encanta e faz permanecer, que enche de otimismo o caminhar, o permanescere: per ( através) com manere(" ficar, permanecer, durar")...



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