O auge da ansiedade
- Juliana I. T. da Rocha

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Muitas pessoas vão ao consultório tentando entender o que sentem, chegam dizendo que é a ansiedade, ela se tornou a bola da vez.
Aperto no peito, um nó na garganta, pensamentos acelerados, mãos transpirando mais que o normal, e tantos outros sintomas que os pacientes relatam na esperança de ouvir as palavras mágicas que sanem todo esse sentir...

O caminho não é tão simples quanto parece, antes de falar de ansiedade, quero me ater a angústia, essa carrega em si aquilo que sinto, mas que não consigo explicar. A palavra angústia vem do latim angustia ("aperto, estreiteza"), derivado de angere, que significa "apertar, sufocar, restringir".
Mas é interessante que a ansiedade se tornou a prima rica roubando o lugar que era da angústia, assim passamos a nos ocupar mais com o silenciá-la do que entendê-la e eis o perigo, aquilo que eu silencio não deixa de existir, pelo contrário, passa a me perturbar cada vez mais. Os poetas já sabiam disso, tanto que Fernando Pessoa tentou descrever de uma forma belíssima aquilo que se sente e o quão perturbador é sentir algo que não se sabe ao certo descrever ou entender... Mas asseguro-lhe que não há outro caminho, ninguém deixa de ser quem se é, nem mesmo com as pílulas mágicas do silêncio. Cada uma passa a vida residindo em si mesmo, lidando com aquele quarto que não gosta, colocando flores onde se deseja encantar, mas tudo isso faz parte da mesma casa. Deste modo, se a casa é a mesma, é preciso entender o que se passa ali, e o porquê olhar para determinados cômodos é tão angustiante ao ponto de não conseguir se acomodar, é preciso se ater a quem se é, e entender o porquê se vive do jeito que se vive e como isso pode ser diferente, é encontrar-se com si mesmo.



Comentários